Julia vivia em seu próprio mundo, fechado… Até que gostava de ser tão protegida, mas, sabe como é: ela não conhecia tudo e era muito curiosa! Queria saber da vida…
“Ilusão Jú, são somente decepções… A vida, menina, é engraçada até. E trágica também! Demais… Vá com seus balanços, brinquedos, afinal, um dia tudo isso pode não caber á você.”
Teimosa criança! Ela queria aventura. Os desenhos e filmes não lhe traziam apenas sonhos pequenos, sonhava alto! Os tais “filmes e desenhos” lhe levavam uma vontade, uma fome… (uma ilusão) de guerra! Não me referindo á guerras físicas, ela desejava a guerra de viver. Sair da gaiola. Queria criar asas logo. Mal sabia que antes de ser borboleta, tem que passar pelo casulo. E dói!
- Mas vira borboleta – Uma voz tão doce podia ser escutada de dentro dela.
Ansiava um reconhecimento. Pobre pequenina… Cresceu! E com esse tal crescimento foi aos poucos descobrindo alguns sentimentos, algumas palavras, golpes mortais. Mas ela queria guerra! Amigos? Á deixaram. Pessoas? Bem, essas eram muito estranhas. Uma incógnita! Às vezes, as tais “pessoas” pareciam indefesas para a inocente Jú… Mas procuravam lutar, não entendiam que eram apenas meros mortais se jogando despercebidos em um calabouço. Julia não podia entender muito bem. Tão boba!
Brincadeiras? Á deixava vulnerável. Mais indefesa do que já era. Machucavam, matavam! Seria essa a fase em que Julia estava passando pelo casulo? Esperamos todos que sim, pois se for: está perto a fase das tão conhecidas asas!
A criança já sentia um gosto ruim na boca, dores na cabeça (e no coração). Lágrimas e mais lágrimas!
- Te avisei, pequena. –Eu posso dizer.
- Mas eu só quero sonhar. – Julia… Sempre reluta contra fatos.
Personalidade infantil e delicada, rosto adulto e coração ferido.
- Mas vira borboleta.
- Julia, tu és tão inocente, criança.
Ela já tinha entendido. Mas não se conformado! Os balanços, escorregadores, brinquedos já não lhe cabiam mais. Estavam apertados! Os colos já eram pequenos demais para o corpo que a menina tomou. Mas o coração dela palpitava ainda ao ver cada bonequinha de pano que se encontrava em sua memória. Em algumas prateleiras do quarto.
Ela sabia tão pouco da vida, mas já era tão assustador. Deveria ter medo do que mais poderia descobrir, mas vocês conhecem Julia, ela não é ter medo. Ela é curiosa. Gosta de descobertas.
Viveu e então, o pior dos golpes e o mais lindo, o mais fatal e o mais encantador, chegou: o amor. Mas, ela não amava apenas um garoto, ela amava todos á sua volta. E todos se faziam amigos. Ou pareciam. Ela confiava novamente. Mas todos iam embora.
Pena da criança que cresceu. Descobriu a vida enquanto era – e é – inocente. Hoje, a tal inocência lhe fazia falta, afinal, estava mais desconfiada de todos. Tudo lhe parecia mal e cruel. Anotou no seu caderno: “Pessoas mentem, palavras parecem espinhos grandes e afiadíssimos. Olhares, podem sim conversar. Lágrimas só podem ser derramadas quando ninguém está por perto. Coração também machuca igual às palmas da mão quando caímos do balanço.”
Estava difícil sonhar. Mas, Julia, a nossa Julia, não desiste assim. Ela sorria dizendo:
- Vira borboleta.
E continuava a viver, sonhando.
Dias desses, á encontrei e disse achando que estaria com razão:
- Os balanços não te cabem mais…
– Hoje sou borboleta – Pude ver Julia sorrindo abertamente.
É… Ela acreditou. Hoje ela voa tão livre, tão linda. Não sei de tudo que se passou com a Jú, mas de algo tenho certeza: se ela passou, é porque ela é forte e hoje ela me mostra que tinha razão: virou borboleta!
Vih C.
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