quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

part 1 - Garoto, cresce.


O   garotinho vivia em seu mundo fechado, ele até gostava, mas ele não conhecia tudo. Ele era curioso, queria saber da vida. Ilusão menininho, decepção pequenino. A vida é engraçada, cômica… E trágica demais. Vá com seus balanços, brinquedos, um dia tudo isso pode não caber a você. Teimosa criança! Queria aventura, os desenhos e filmes os iludiram, traziam uma vontade, uma fome – uma ilusão – de guerra (não guerra física com armas, mortes e ferimentos), guerra de viver, mal sabia a pequena e indefesa criançinha que a guerra de viver também tem armas, mortes e ferimentos. E não eram somente mortes e ferimentos no corpo, eram dentro. Eram as piores. Doíam mais. 
Ele queria independência, queria coragem. Reconhecimento. Pobre pequenino! Cresceu e teve seu coraçãozinho, a pouco guardado, estilhaçado. Descobriu sentimentos, palavras, golpes. Amigo os deixara, pessoas eram estranhas, pareciam indefesas, mas procuravam lutas; elas não entendiam que eram meros mortais e que brincadeiras os deixavam invulneráveis, machucavam, matavam. A criança já sentia um gosto ruim na garganta, dores na cabeça, lágrimas, ela já tinha entendido, mas não se conformou: os balanços já não a cabiam e os escorregadores apertavam. Apertavam assim como a vida. Apertavam assim como tudo que a estava sufocando. O único aperto que ela queria era de um abraço, mas por muitas faltara. E sobravam os outros tipos de aperto, aperto no coração, na mente, nos sorrisos. Nas dores.
Ele tinha crescido. Sabia tão pouco da vida, mas já era tão assustadora, tinha medo do que poderia descobrir. O golpe fatal chegou: o amor. Não amor clichê - mesmo o amor tendo um tom de clichê -, mas não eram aqueles dos livros e filmes, mas aquele que ele sentia por todos, por amigos, pessoas, familiares, colegas e por alguém.
‘ Tadinha da criança: descobrira a vida e a inocência lhe fazia uma falta que dilacerava seu coração. A vida o dilacerá-la. E ele descobriu: pessoas mentem e machucam, palavras são falsas e parecem espinhos – afiados, compridos, perigosos -, olhares conversam, lágrimas são presas e só caem quando não a mais nenhuma pessoa por perto, sorrisos servem não mais para expressar alegria, mas também para esconder muitas dores. E o coração? Ah… O coração machuca que nem joelho e palma de mão, só que dói mais. A sociedade – em que ele vive por não ter outra saída- é hipócrita.
Calma, menininho! Agüenta firme pequeno, o tempo só segue. E se você está passando é porque você agüenta. Você é forte.


Vih Carvalho

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